a experiência em questão – de aspecto predominantemente indicial – foi produzida tendo como objetivo configurar um ponto de vista singular, indicativo, procurando retratar um espaço-tempo delimitado, mas com aspectosde ambuiguidade. têm-se o horizonte da metrópole reduzido a aspectos mínimos. existe a presença dos prédios – mas não há configuração de janelas ou portas –, existe a presença de nuvens – embora retratadas em forma de ondas –, existe a presença da chuva – que transpassa as ondas das nuvens e cai sobre as caixas-prédio. repousa uma tensão entre a rígidez do concreto racional, presente através das formas geométricas – e portanto simbólicas – dos prédios e a leveza do traço que dialoga com o orgânico – icônico – das ondas-nuvens. as qualidades de textura, movimento, fricção e ritmo são encapsuladas pelos aspectos formais que constituem e configuram o índice presente. na construção da imagem foi estruturada uma indexicalidade interna, que diz respeito à própria composição. portanto, as caixas são reconhecidas como prédios porque existe uma relação com as ondas que indicam nuvens, que, por sua vez, encontram-se ligadas as linhas diagonais de chuva, promovendo na imagem um outro nivel indexical, externo, evocando um poder indicativo que diz respeito a algo que está fora da composição, no mundo: a cidade. assim, os índices mostram-se eloqüentes, reveladores, embora tal referencialidade possa revelar-se hesitante, já que não se trata de um registro fiel da cidade, mas sim contaminado por intervenções que procuram atribuir certa poética a imagem, mesmo que esta poética resida e tome forma em uma racionalidade geométrica. foi nesta tensão que a imagem foi pensada.